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por Delano Mothé.

A idolatria, para os fins despretensiosos e didáticos deste breve ensaio, pode ser compreendida como uma degenerescência da admiração construtiva. Esta última motiva e mobiliza os indivíduos a assimilar dos objetos admirados os conteúdos que já lhes podem ser agregados ao espírito eterno; a primeira paralisa a criatura, em sua predisposição ou franca rendição ao menor esforço, mantendo-a impermeável aos influxos evolutivos, que poderiam ser absorvidos do exemplo idolatrado.

Por ser uma atitude extremada e antievolutiva, a idolatria naturalmente tende a descambar para seu extremo oposto (na busca do equilíbrio): a demonização do idolatrado, bem como para a contraparte deste movimento demoníaco: a autovitimização, tão logo o idólatra se veja ferido em seus interesses pessoais e impedido de escorar sua preguiça espiritual no foco de sua adoração. A decepção com o ser adorado deveria, se bem aproveitada, sugerir ao “des-iludido” o próprio despertar do torpor deturpador da realidade, porque o impulso natural da alma é incorporar os valores do mundo externo, e não contemplar o que lhe falta, na inércia de perpetuar as lacunas interiores.

Tudo quanto nos desperta admiração, à nossa volta, deve também nos acender a flama da motivação em desenvolver em nós mesmos as correspondentes qualidades nobres que já nos impressionam e nos inspiram a percepção. Por outro lado, o que rejeitamos no plano exterior deve igualmente ser visto como sinalizador dos traços repugnantes jazentes em nossa própria intimidade – amiúde, coincidentes e/ou relacionados com os que percebemos fora, projetados, e que tão piores se apresentam dentro de nós, quanto maior for a aversão suscitada –, reclamando-nos acolhimento e aceitação, canalização e transformação.

Apenas o Criador, ou Figuras que Lhe representem a Perfeição, nos merece(m) o culto idolátrico, que se desdobra necessariamente na reverência sagrada aos ditames da própria consciência. E a consciência de toda criatura anseia por conquistar plenamente as virtudes dos Anjos, em sabedoria e amor “ad infinitum”, aplicados inarredavelmente em serviço humanitário. Despertemos, pois, a angelitude dormente em nossa essência perfectível, aproveitando os Espelhos da Vida ao nosso redor, para ativar e enriquecer o positivo em nosso psiquismo, mirando os aspectos superiores dos outros, quanto para enxergar e processar o negativo em nós mesmos, a partir do que fora se nos afigura inferior. Destarte, poderemos nos colocar, definitivamente, rumo aos círculos transcendentes da felicidade sem máculas, da imperturbabilidade inalterável, fazendo-nos legítimos cocriadores divinos, contribuindo com a Harmonia Celeste, laborando, incansável e santamente, na edificação do Reino dos Céus, no âmago do próprio coração e, conseguintemente, por todo o orbe, Eternidade adentro.

(Texto composto em maio de 2010.)


Agradecimento e congratulação:

Gostaria de registrar aqui meu agradecimento aos queridos amigos, por suas tantas manifestações de estímulo e carinho, neste Blog. Desculpem-me o lapso considerável entre esta minha resposta e as reiteradas iniciativas dos companheiros que aqui deixam seus comentários generosos: o impulso sincero seria imediatamente agradecer e retribuir os gestos afetuosos, individualmente, mas isso não me tem sido possível. Conto com a compreensão de todos, no sentido de receberem minha gratidão assim mesmo, dirigida ao coração de cada um de vocês.
Aproveito para também parabenizar os estimados colegas articulistas deste nosso espaço de interação virtual: “Serjão” (Sérgio Santana) e “Lininha” (Aline Rangel), por suas contribuições valiosas de todas as semanas. Sérgio, com sua habilidade de pinçar o melhor das palestras, sintetiza-nos as lições mais importantes, reforçando-nos o aprendizado imprescindível. Aline, com sua sensibilidade, inspiração, produtividade, estilo e desenvoltura em variados gêneros literários, nos brinda com ensaios fecundos, poemas riquíssimos, narrativas tocantes (não raras vezes, terminei a leitura com lágrimas de emoção), conjugando, em suas fertilíssimas composições, a elegância da forma à profundidade do conteúdo.
Uma bênção inaudita compor esta equipe!… esta família espiritual!… esta Escola de Sabedoria, de Felicidade, de Maravilhas!…
Que Nossa Senhora nos fortaleça os laços de fraternidade e serviço ao bem comum, hoje e por toda a Eternidade!…

Amigo-irmão em ideal salto-quantista,
Delano (Dê, para os que preferirem).
Aracaju, 24 de maio de 2010.